quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Gentileza

Ontem contei pra você que há alguns dias eu estava lendo dentro do ônibus e folheando as páginas, as marcava ou com um folheto, ou com os dedos. Uma moça que estava sentada alguns bancos a frente observou e se compadeceu da minha dificuldade, levantou-se e foi até mim para entregar um marcador de livro.

Contando isso pra você, aproveitei a situação para ensinar que "Gentileza Gera Gentileza". Disse que já que a moça me fez a gentileza, eu teria que também fazer uma gentileza, se não para a mesma, para outra pessoa qualquer. Para manter girando o moinho da fonte da gentileza. 

Pois bem, hoje, dentro do ônibus, você me pergunta: "Mamãe, a senhora já fez uma gentileza?" Eu, sem lembrar do meu ensinamento, respondo: "Não. Porque?". "Uai?! A moça te deu o marcador de livros, agora a senhora tem fazer uma gentileza, não é assim que funciona?"

É uma delícia a sensação de missão cumprida, filha. Maravilhosa a sensação de que conseguir ensinar algo que vai levar pra vida e te ajudar a ser uma pessoa melhor. Ás vezes tenho a sensação de que não sou, como mãe, boa o suficiente, mas hoje, você fez eu me enxergar diferente. Obrigada por ser minha filha. Te amo hoje mais do que amava ontem (e assim por diante).


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Fios castanhos

Há alguns dias observei, quase sem querer, alguns fios castanhos claros em suas axilas.

Sei lá, coisa natural, normal, mas como mãe fico tão feliz que esteja se desenvolvendo, virando uma mocinha...

Fiz um escândalo, fiquei admirada, maravilhada. Você ficou me contendo: "Psiu, mamãe! Fica quietinha!"

Agora você não pode passar perto de mim que peço pra ver... Tô admirada!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Mais um capítulo

Terça-feira, dia 19, recebi um bilhete me convocando para uma reunião hoje às 14:30hs. Antes mesmo de isso tudo acontecer. Já havia te questionado a respeito do motivo da convocação, mas nada de você dizer. Hoje a reunião foi com os responsáveis por todas as envolvidas. Uma mãe nem sabia o que tinha acontecido. Outra sabia bem pouco. E outra nem apareceu. Devido a esta situação de desinformação, acharam por bem fazer a reunião com cada uma separadamente.

Fui conversar novamente (!) com a professora Andreia. Apesar de tudo que falamos na última reunião, apesar de todas as suas qualidades que ressaltamos, apesar de todos os combinados, você continuou fazendo o mesmo ou ainda pior. Sua professora se mostrou realmente decepcionada.

Fico sabendo também de mais coisas que anda aprontando. Você vem, repetidamente, batendo em um colega de sala, e quando não pode bater, manda suas “comparsas” executarem o serviço. Fico sabendo que o dia que chegou toda rabiscada de caneta em casa não era só uma brincadeira, que você e suas amigas pegaram esse mesmo colega e rabiscou ele todo também.

Quando foi questionada, pela professora, sobre por qual motivo faz isso, você se justificou dizendo que é porque “gosta” dele. Ai, minha filha! E mais, ele reclamou com os pais e os mesmos foram até a escola reclamar providências da professora. Graças a Deus ela gosta de você e soube apaziguar, senão seria mais uma pra minha cabeça...


Resumindo, o que ficou decidido foi o seguinte: Comprometi-me a redobrar a vigilância, colocá-la na terapia e retirá-la da integrada. A escola se comprometeu a separá-las de sala. Ponto. 

Filha, vou repetir pra você o que venho dizendo a todos que veem querendo notícias suas: Recuso-me a desistir de você! De maneira alguma e enquanto vida eu tiver, vou juntar todas as minhas forças para que você se torne a mulher que esta predestinada a ser: a mulher bacana, empática, divertida, simpática, amorosa, corajosa, confiável, inteligente, amada, amável, amiga e querida por todos. Tenha certeza de uma coisa: mesmo brava, mesmo com muita raiva e decepcionada, eu te amo. Pra sempre.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sobre o dia em que me senti realmente decepcionada com você...

Hoje, não sei se por extinto materno, não sei se por uma sugestão da sua professora que me aconselhou a dar “batidas” periódicas em sua mochila, antes de você ir pra escola, dei uma geral na sua mochila...

(Suspiro profundo)

 ... Encontrei outra bolsa (pequena e de passeio) 10 reais, uma blusa de passeio preta, chaves de casa e um bilhete (com a sua letra) combinando tudo. Você e mais quatro colegas matariam aula. Assim que descessem da van, sem se quer entrar na escola, iriam primeiro para a Praça da Assembleia e depois para o Shopping Diamond Mall. O bilhete mais parecia um planejamento estratégico: “Matar aula. Sem blusa da escola. Lanche-Dinheiro. Diamond Mall e Praça. Não ser pega.”.

Tirei tudo de dentro da sua mochila. Pedi o nome de todas as envolvidas e anotei na mão mesmo. Dei um sermão e ameacei uma surra. A van buzinou lá fora. Disse o quanto aquilo era perigoso, quanta gente ruim tem no mundo, que eu poderia te achar morta em uma vala. Perguntei se pretendia continuar com o plano. Você olhou no meu olho (e quando me lembro disso me dá muito ódio. Sério) e disse com a carinha mais arrependida que existe, que não iria mais fazer isso. Dei beijo, abençoei, e te coloquei na van, acreditando que realmente não faria.

Continuei me arrumando para o trabalho. Esperei dar 7hs para ligar na escola e avisar sobre as outras garotas, afinal, se algo acontecesse com elas, eu seria a culpada. Dando o horário liguei, expliquei tudo que havia acontecido, expliquei minha preocupação com as outras, dei os nomes e, ingenuamente, pedi a pessoa que atendeu, que se não me engano era o porteiro, que a procurasse na sala e conversasse com você para confirmasse os nomes.

Nem dez minutos depois me liga a diretora da escola: “- Você é a mãe da Lara? –Sim. Isso mesmo. – Você ligou aqui e passou uns nomes de meninas que matariam aula? – Sim. Passei. – Você mandou a Lara pra escola? (Neste momento, com certeza, meu coração parou por alguns instantes de bater) – Sim! Mandei! Porque? (Já em desespero) – Pois não encontramos ela e nenhuma das outras em qualquer parte da escola!”. Nesse momento disparou uma descarga tão grande de adrenalina no meu corpo que pensei que teria um infarto.

Respirei fundo. Mantive-me ereta. Combinei comigo mesma de não surtar pois providências deveriam ser tomadas. A diretora me disse que ligaria pra polícia para procurá-las. Disse pra ela os locais prováveis e ela me ligaria com novidades. Liguei pro seu pai. Combinamos dele passar aqui de moto, pois iríamos também fazer uma busca na região. Não iria aguentar ficar em casa esperando notícias. Precisava fazer algo. O que passou pela minha cabeça: Pensei que você tinha fugido de casa, pois eu já havia tirado tudo da sua bolsa e talvez, no medo de uma represália maior, preferiu fugir. Sei lá. Não tava pensando direito. Só conseguia imaginar minha vida sem você, te procurando sem fim, o risco de achar seu corpo jogado no mato, ai! Andava de um lado pro outro esperando seu pai chegar.

Tive exatamente 60 minutos para sofrer. Exatamente as 8:09hs a diretora me ligou dizendo que a polícia havia encontrado você e mais uma na Praça, e que vendo o carro de polícia, as outras três meninas “apareceram” na porta da escola. Daí passou de desespero para raiva. Ela pediu que eu e seu pai fossemos até a escola, que ela queria conversar conosco. Iria de qualquer maneira, tinha uma vontade urgente de sentar a mão na sua cara.

Chegando a escola encontrei todas, exceto você, sentadas amuadinhas no sofá da diretoria. Você não demonstrava nenhum arrependimento, nenhuma culpa, nenhum medo, nenhuma surpresa, nenhuma lágrima, nada. Não te bati. Mas sentamos os quatro à mesa e começou a sabatina. Eu e a diretora espumando de ódio. Você calada e com ar blasé. Seu pai com raiva, mas calado, só observando.

Estou com tanta, mas tanta raiva de você... E decepcionada. E me sentindo fracassada quanto a educação que pensei estar te dando. Estou me sentindo pesada, destruída, fraca, com muita raiva também. Saímos os três juntos e eu não conseguia olhar pra sua cara. Sinto-me culpada por sentir isso, mas não consigo evitar. Mesmo assim você ficou comigo, te levei para o meu trabalho. Fiquei observando você dormindo no sofá enrolada no meu casaco, e ficava pensando como pode uma pessoa tão pequena, bonita, inteligente, ser dissimulada dessa maneira.

Lá, enquanto nos reunimos, descobri que você era a líder, que você praticamente aliciou as outras, que por acaso são mais velhas e maiores que você. Descobri que você usou sua inteligência e beleza pro mal. Dissimulada. Fiquei em pânico. De verdade. A coordenadora da escola integrada te suspendeu por uma semana, mas não importa, de qualquer maneira você não vai mais pra Integrada. Combinei com sua Tia e ela vai ficar com você na parte da manhã, e de lá você vai pra escola.

Se faz necessário e urgente separar essa “quadrilha”. Vou conversar com alguém, pedir uma indicação para uma terapia, pois vou usar todas as armas que disponho contra essa pessoa que você esta se tornando. Quero que você esteja bem ciente de tudo que me causou e ainda causará. O desgaste emocional, o dinheiro a mais que terei que dispor para passagens, terapia e afins, toda a nossa rotina que estava tão bem arranjada e agora, bruscamente, terá que mudar.

Preciso que você entenda o seguinte: O problema não foi matar aula. Todo mundo já matou aula algum dia. Acontece. O que realmente me decepcionou foi o fato de você se mostrar dissimulada, de não demonstrar nenhum arrependimento, de ter se mostrado absolutamente fria. Isso me assustou muito. Muito mesmo! Ainda estou com muita, mas muita raiva de você. Porém eu te amo. Independente de decepção, de raiva ou de qualquer sentimento ruim que tenha me provocado. Não quero que seja essa pessoa fria e manipuladora. Não quero que use seus dons para o mal. Quero que seja uma pessoa bacana, amada e amável. Por favor, minha filha, não se torne uma pessoa ruim!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Esquivas

Hoje recebi um bilhete da sua professora me convocando para outra reunião. Dia 22, sexta-feira, às 14:30hs. Te questionei quanto à do que se tratava, você disse não saber. Depois, disse que poderia ser porque você esqueceu-se de fazer um exercício. Quis saber mais detalhes. Disse que não queria ser pega de surpresa de novo. Perguntei o que você aprontou. Nada. Você se esquivou de todas as perguntas. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Feedback

Nesta última terça-feira, como havia perdido a reunião trimestral e gostaria de pegar o seu boletim e ter um feedback da sua professora, marquei uma reunião com ela. Prontamente ela confirmou data e horário. Hoje, às 14hs. Qual foi minha surpresa quando cheguei na sua escola e me aguardava para a reunião não só a sua professora, mas também a coordenadora. Entrei na sala, sentamos e as duas começaram a me relatar tudo que você vem aprontando: não faz os exercícios de casa (e mente pra mim dizendo que não tem), conversa atrapalhando a aula, que estava levando outras roupas na mochila e trocando na escola, que não esta respeitando a autoridade dos professores, esta matando aula e finalmente, suas notas caíram drasticamente neste trimestre. Você deixou de ser uma aluna que praticamente tirava total em todas as provas, para uma aluna com notas medianas. Você foi chamada pra reunião. Expusemos os fatos, questionamos, deixamos você se justificar. Colocamos o quanto você é inteligente e o quanto esta desperdiçando esse dom. Você ficou lá quase que acuada nos ouvindo, às vezes acenando com a cabeça, às vezes fazendo pequenas observações. Enfim. Houve combinados. E elas ficaram de me comunicar qualquer situação adversa. Bom, tomara que o sermão tenha sido válido. Fiquei bem triste, confesso, mas te amo mesmo assim, boneca. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Feriado Prolongado.

Boneca, você tem o melhor sorriso, o melhor abraço. Você é a melhor companhia, a melhor filhinha que eu poderia ter.

Temos nossos combinados, nossa rotina, brigamos, damos gargalhadas, assistimos nossas séries preferidas, comemos nossos doces, nossas comidas preferidas, jogamos nossos jogos de carta, lemos nossos livros, conversamos sobre nosso dia, te apresento uma música nova, temos nossas músicas preferidas, dançamos juntas, fazemos nossas palhaçadas, temos nossas piadas internas, debochamos de nós mesmas, dormimos abraçadas.

Depois de um feriado prolongado como esse que passou, não tem como não estar completamente morta de amor por você!

Por mais finais de semana grudadinhas assim!

Te amo, Amorzinho.

domingo, 10 de setembro de 2017

Golpe de Sorte

Hoje a tarde. Nós duas jogando "Adedanha" e na hora de conferirmos as respostas, você me solta essa:

Eu: - Uma profissão?
Você: - Barista.
Eu: - Que fufura! Barista?! Você sabe o que é barista, amor?!
Você: - Hummm (Prevejo picaretagem...) Talvez... ?
Eu: - E então?! O que é barista?!
Você: - É o cara que trabalha no bar???


Provavelmente ainda estarei rindo muito disso no futuro! Melhor resposta!!! O errado que deu certo!!


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Filha Preferida

Hoje quando cheguei do trabalho fui logo te contando a novidade: 

Comprei dois casacos, pois o frio dos últimos dias estava me matando e eu não tinha casaco que o comportasse.

Enfim, você escutou minha novidade e na sequência me disse a coisa mais bonita, mais "filha", mais companheirinha que poderia dizer:

- Que bom que comprou, né Mamãe! A senhora fica comprando roupa só pra mim! Eu tô cheia de casaco e a senhora não tinha nada! Agora sim, não vai ficar sentindo frio!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Juntas

Hoje dançamos no banheiro. 

Tive que passar um remédio em seus cabelos e esperar alguns minutos. Daí dançamos.

Tentei te ensinar forró. Em vão. Tentei te ensinar samba. Em vão. Nos entendemos no pop, MPB e rock. 

Gargalhadas sobraram.

Nós, todo dia, fazemos refeições juntas, exercícios da escola juntas, rimos juntas, debochamos juntas, ficamos bravas juntas, assistimos Netflix juntas, lemos juntas e gostamos de dormir juntas.


Nós, juntas, somos bacanas demais! 
Te amo, Boneca! 
Vamos combinar de sermos assim para sempre?

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Perguntas pertinentes

Agora mesmo:

Pedi para que você me ajudasse com a apresentação que devo fazer do meu trabalho da faculdade sobre Gestão de Pessoas. 

Pensei: se conseguisse fazer você (uma menininha de 10 anos) entender o tema, consigo fazer com que minha turma entenda. 

Enfim, comecei a apresentar e não é que você faz comentários e perguntas pertinentes? Tais como: "Não entendi, me dê um exemplo?", "Ah, entendi! É para favorecer os funcionários também?). 

E também me sai com tiradas hilárias, como quando eu disse que faz perguntas pertinentes você me solta: "Como se eu soubesse o que é Pertinente...". Você é uma peça rara, Amorzinho! Ri muito com essa!

Você é demais, Boneca!

Minha companheirinha Forever!!

(Lara do presente, a Lara do passado está aqui do meu lado me ajudando a editar este post)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dançando...

Hoje você me disse que teria uma apresentação de dança que você participaria, e me pediu:

"Por favor, Mamãe! Me ensina a dançar forró?! O menino que vai dançar comigo sabe e eu não!"

E de repente estamos nós duas dançando no banheiro...

Mais uma imagem que vai ficar grudada na retina e agarrada no coração.

sábado, 6 de maio de 2017

Minha Kung Fu Panda

Hoje foi aniversário da escola e você participou de duas apresentações: uma de samba e outra de Kung Fu.

Bom, quanto ao samba, apesar de ter sido uma apresentação mega fofura, você continua com a mesma leveza e graciosidade de quando se apresentou aos seis anos na escolinha: nenhuma. Já podemos esquecer a possibilidade de você ser uma "Mulata de Sargentelli", não é mesmo?

Quanto a apresentação de Kung Fu, fiquei impressionada. Apesar de uma pequena falta de concentração, você foi fantástica! Nunca tinha visto você assim. Já vi você treinando em casa, mas nunca fazendo todos os movimentos em sequência. Foi lindo! Se eu fosse de chorar, choraria.

Você esta crescendo e descobrindo suas habilidades (ou não, no caso do samba), descobrindo seus interesses, o que provoca brilho nos olhos. Agora sei que, além do idioma Inglês, o Kung Fu também lhe produz brilho nos olhos.

Você esta demais, Boneca! Demais!!


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Jantarzinho

Hoje, como havíamos combinado, preparei a comidinha que você mais gosta: Frango com Legumes.

Você comeu, repetiu e repetiu. E entre uma garfada e outra dizia: "Nossa mamãe, tá uma delícia! Porque comida de mãe é sempre mais gostosa?! A sua comida é a que eu mais gosto!"

Dá gosto cozinhar pra você, Amorzinho!

Dá gosto ver o tanto que você curte e elogia e se delicia...

sexta-feira, 24 de março de 2017

Segredo

Você na escola hoje:


As amiguinhas te chamaram num canto e sussurram:

- Lara vem cá: Sua calcinha tá marcando...
- Nossa! Então liga pra minha mãe logo porque preciso ir embora!
- Mas por que?
- Porque ninguém pode saber que eu uso calcinha!


Você é debochada demais, Boneca! Adoro! Eu ri alto quando me contou...
  
Não aguentei e postei no facebook também! 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Amiga e companheira

Filha, você esta cada dia mais fantástica! São tantas pequenas coisas, pequenas atitudes suas que me comovem e que me fazem pensar e repensar muita coisa.

Já faz alguns meses que ando muito triste com umas questões que estou tendo que resolver. Você não sabe quais são, mas já sacou que ando triste demais.

Há algumas semanas estávamos nós duas tomando o café da manhã e eu estava no ápice da minha tristeza neste dia. Normalmente conversamos, rimos, enfim, neste dia eu estava silenciosa, e por alguns momentos deitava a cabeça sobre a mesa.

Tomamos o café. Você não disse uma palavra, somente se levantou, me deu o melhor abraço do mundo e ainda em silêncio retirou a mesa do café. Você não sabe, mas aquele abraço disse tudo que eu precisava ouvir.

Filha, mesmo você estando em uma fase meio rebelde, contestadora, empoderada um pouco demais, é bom saber que você esta dando certo, que é essa pessoa bacana, empática, amorosa, sensível e companheira que eu e sua Vó planejamos que seria.


Te amo demais, Amorzinho! Vai ficar tudo bem comigo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Padrasto

Outro dia surgiu o seguinte diálogo:

- Mãe, eu queria ter um padrasto.
- Ô amor... Você quer que mamãe arrume um namorado?
- Quero. Preciso de alguém normal pra apresentar pras pessoas...
- Hã?
- É. A senhora é maluquinha, meu pai é um pouco maluquinho...
- Oi? Eu sou maluquinha e seu pai é só um pouco??? Por que??
- Porque eu fico menos tempo com ele, né Mãe?!
- Ah ta. Entendi.
- Então... Vou apresentar pros meus amigos: “Minha mãe? Ah, ela é um pouco maluquinha... Meu pai? Ele é maluquinho também! Esse aqui é meu padrasto! Ele é normal. Porque, né? Preciso de alguém normal pra controlar essa maluquice toda...”


Eu ri, mas fiquei preocupada. Foram semanas de reflexão e de auto-questionamentos... Ainda não cheguei a uma conclusão.