quinta-feira, 31 de março de 2011

Ocorrência atrás de ocorrência

Minha bonequinha não é um exemplo de bom comportamento. Apronta todas e mais algumas. Quando estava grávida, queria um menino, quando descobri que era uma menina, as pessoas me “consolavam” dizendo que com uma menininha é muito mais tranqüilo. Acreditei nesta lorota. Princesa é uma coisa de linda, meiga, carinhosa e charmosa. Ao mesmo tempo é “cascateira”, “aprontadeira”, enfim, cada dia é uma ocorrência.

Nesta última sexta-feira, ligo como de costume por volta de 17:30hs pra saber se ela chegou bem da escola. Como sempre ela mesma atende ao telefone. Mas algo estava errado. A voz dela, mesmo meiga, parecia um pouco abafada, como se ela estivesse fechada em algum lugar. Ao fundo, escuto a voz da minha mãe, quase aos berros, pedindo o telefone. “Me dá esse telefone que eu vou contar o que você fez pra sua mãe!!”. E ela: “Não. Não dou!” E voltava a conversar comigo como se nada estivesse acontecendo. Então, pergunto calmamente a ela aonde exatamente esta e ela me responde: “To debaixo da cama, mamãe”. Conclui tudo então. Ela aprontou alguma, o telefone tocou, ela atendeu ao telefone antes pra vó dela não falar comigo e escondeu debaixo da cama.

Vamos a ocorrência em si: Ela chegou da escola, pediu a tesourinha pra fazer uns recortes. Vovó autorizou já anteriormente autorizada por mim. Afinal depois de tanto tempo escondendo as tesouras, achei que ela já tinha “maturidade” pra usar. Ledo engano. Começou recortando papel em seu quarto. Depois de alguns minutos (!) a vovô foi procurá-la e ela já estava fechada no meu quarto. Como vovó já manja esta garota desde o ventre, correu. Ela estava em frente ao meu espelho cortando os próprios cabelos. Já havia um monte de cabelinho cor de mel caído no chão. Quase conseguiu fazer um corte surfista.

Quando minha mãe conseguiu alcançar o telefone e me relatar tudo isto, quase tive um AVC. Na mesma hora e por telefone mesmo a coloquei de castigo e prometi um bom sermão quando chegasse, mas o que queria mesmo era dar uma boa surra!

Princesa, não dorme no ponto. E como já disse, cada dia é uma ocorrência. Ontem mesmo, teve outra. A chave da porta da cozinha para a área externa por precaução ficava escondida em cima da geladeira, pois acreditávamos que lá ela não alcançaria. Pois bem, ela descobriu o esconderijo. Chegou da escola, antes que minha mãe pudesse reagir, correu pra cozinha, puxou a cadeira até a geladeira, pegou a chave, trancou a porta da cozinha e jogou a chave pro lado de fora. Agora me diga: Por quê? Retaliação? Espiritozinho de porco? Não sei. Aguardo a próxima ocorrência.

terça-feira, 29 de março de 2011

Squalo

Ontem o seu peixinho morreu, boneca. E você não entendeu nada. Insistia que ele estava dormindo de barriga pra cima e sorrindo. Sua mamãe, inexperiente como é, não conseguia lhe explicar a morte. Mesmo quando dizia que ele tinha ido morar no céu, você retrucava: “Mas ele está no aquário!” Mas o espírito dele foi morar no céu, bonequinha! “Não mamãe, peixe fica na água!”. Como não conseguia explicar, decidi que teríamos que nos despedir dele. Concluímos que teríamos que jogá-lo no vaso sanitário, a única cova condizente que me vinha à mente. Fomos de mãos dadas até o sepulcro do peixinho vermelho. Nos despedimos e você ficou dando tchau pro Squalinho, como sempre o chamou. Mas ainda não entendeu o que é a morte, não é princesa? Eu ainda não entendo a morte. Vamos comprar outro peixinho, mas agora você quer um rosa, não é mesmo? E que o squalinho descanse em paz no céu de água que todo peixinho merece.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Amor, louco amor!

Agora é assim, ela quer ser baterista, além de mãe e médica.  Pega um livro e dois lápis e começa a tocar. Junta todas as suas bonecas e coloca na sala pra cuidar. Arrumou uma lupa não sei aonde, e fica examinando meus dentes, olhos, ouvidos. Aliás, sou sua paciente preferida. Melhor, cobaia. Compõe algumas música, gosta de trance, samba feito uma alemã e canta como um passarinho. Agora, aprendeu a dizer que ama e aprendeu a quantificar: "Mamãe, eu te amo mil!" e tenta mostrar a quantidade com os dedinhos. Charmosa, manhosa e esperta, descobriu que para me ganhar é só dar uma requebradinha e fazer boquinha de florzinha que me derruba. Ninguém nunca fará como ela. Descobriu também que sou muito esquecida e me ajuda bastante com sua memória de elefante. "Ô mamãe maluquinha!", diz ela. É personal stylist. Me produz e produz a si mesma e todos os seus arranjos são, como direi, muito divertidos. Ela é um talento. Não entendo o por quê, mas estou cada dia mais apaixonada por um garota de 1,01m, 16k, faladeira, trapaceira e charmosa duma figa!